Internet via satélite vai mirar áreas 'de sombra' no começo da operação

Internet via satélite vai mirar áreas 'de sombra' no começo da operação

Cobertura de banda larga insuficiente para 95% dos municípios brasileiros gera um ambiente favorável à oferta do serviço; empresas envolvidas cobram equiparação na cobrança de taxas

Prestes a ganhar impulso graças ao início das operações da Elsys e da Hughes do Brasil no País, a oferta de banda larga via satélite deve se tornar opção viável no atendimento de áreas ainda mal atendidas. No médio prazo, uma revisão regulatória pode auxiliar a popularização da modalidade.

De acordo com dados compilados pela consultoria especializada em telecomunicações Teleco, os 248 municípios brasileiros (ou 5% do total de cidades) com acesso a redes de internet em alta velocidade são responsáveis por 77% dos acessos no País; enquanto isso, os 95% restantes - que agregam cerca de 50% da população - possuem apenas 23% dos contratos. Atender estas áreas de "sombra" é o principal interesse de empresas que vão explorar a tecnologia via satélite para a oferta do serviço.

É o caso da brasileira Elsys e da Hughes do Brasil, representante nacional de gigante norte-americana do setor de telecomunicações. Através de uma parceria, as duas empresas começam, já na primeira semana de junho, a oferecer banda larga através de satélite da francesa Eutelsat. "Praticamente todos os municípios têm áreas de sobra, sem acesso nenhum à internet. Alguns grandes inteiramente descobertos ou outros que possuem [oferta] de fibra, mas que não chega nas periferias", explica ao DCI o CEO da Elsys, Damian Zisman.

A empresa, com longa expertise no oferecimento de serviços de TV paga, foi a escolhida pela Hughes - que adquiriu ainda em 2014 o direito de explorar a banda KA - para a comercialização e gerenciamento do produto, amparada pela presença da Elsys em 95% do território nacional.

De acordo com Zisman, a operação terá Minas Gerais como ponto de partida e mirará, além do consumidor final, pequenas empresas e o agronegócio. "O [segmento] agrícola será um grande mercado. Fizemos uma apresentação recente na Agrishow [maior feira de negócios do setor, encerrada no final de abril] e o interesse foi grande", afirmou o executivo da Elsys, que no início do mês inaugurou, ao lado da parceira, um site de pré-vendas do serviço.

Segundo Zisman, há incidência de reservas mesmo em cidades que não serão contempladas pelo serviço por já terem abundância de ofertas - como a capital paulista

 

TAXAS

Presidente da Hughes do Brasil, Rafael Guimarães explica a decisão de reforçar a oferta nas áreas de sombra. Para ele, questões financeiras diminuem a competitividade da banda larga via satélite quando comparada com outras tecnologias, como os famosos cabos. "Não vamos competir com a DSL ainda", afirma, em referência à modalidade de transmissão de dados via cabos telefônicos de cobre, responsável por 51% dos contratos de banda larga no Brasil.

De acordo com Guimarães, a internet via satélite já larga com R$ 20 de desvantagem frente outras tecnologias. O custo mais elevado dos equipamentos requeridos é um dos fatores de influência, mas o ambiente regulatório também tem seu papel. "Nossas estações de recepção pagam TFF [Taxa de Fiscalização de Funcionamento] inicial de R$ 200 e TFI [Taxa de Fiscalização de Instalação] de R$ 100. Para a LTE [que suporta redes de quarta geração, como a 4G] é cobrado um sétimo disso, e no DSL não se paga", explica o executivo. A cobrança do TFF é mensal e a do TFI, anual.

"Nos Estados Unidos, para se instalar um milhão de 'anteninhas' desse tipo, se paga US$ 5 mil uma só vez", compara Guimarães. Um dos pleitos das interessadas na exploração é a inclusão dos equipamentos no regime de desoneração do Plano Nacional de Banda Larga (REPNBL). "O regime deveria nos isentar, mas esse artigo foi o único que não foi regulamentado", cita Guimarães.

 

Por Henrique Julião (DCI - Comércio, Indústria & Serviços)

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